Daniel de Paula

histórias oblíquas, 201_instalação, palmeira imperial e ferragem de automóvel usado_dimensões variáveis

aparição, 2010-2011_instalação/negociação_poste de iluminação pública da prefeitura de São Paulo, SP, luminárias, lâmpadas, célula fotoelétrica e fiação_dimensões variáveis

A prática artística de Daniel de Paula se funda através de uma influência mútua entre a sua relação direta com o contexto físico e uma reflexão crítica sobre as estruturas burocráticas, históricas, econômicas, políticas e sociais que o moldam.

O uso de elementos que nos remetem a uma experiência urbana comum, tais como postes de iluminação pública, para-raios, componentes automotivos, entre outros, confere, à primeira vista, um estatuto de ready-made às suas peças. Mas, o processo de concepção das obras vai mais além de um exercício de apropriação, deslocamento e descontextualização de objetos subtraídos à cidade. Tampouco a categoria de objets trouvés se adequa inteiramente aos itens que utiliza, já que estes não são achados fortuitos mas fruto de negociações extensas com e entre vários agentes de órgãos públicos e privados. Tais acordos e processos são sutilmente tornados inteligíveis ao público através do recurso a fichas técnicas explicativas, títulos precisos, ou à documentação do processo, porém estas soluções não se destinam a facilitar a compreensão do trabalho, mas sim sublinhar uma indivisibilidade entre os itens exibidos e o contexto de onde surgiram.

Com esta metodologia como base, Daniel de Paula articula um léxico simultaneamente preciso e variado. Uma palmeira-imperial arrancada do solo que intersecta diagonalmente uma caçamba de automóvel; postes de iluminação pública que repousam em equilíbrio no chão, tendo a intensidade de sua luz controlada por células fotossensíveis que respondem à luz do dia; um grupo de faróis automotivos, dispostos segundo a constelação do Cruzeiro do Sul, que se apaga com o movimento do espectador; piquetes de trânsito, outrora imóveis, que deslizam pelo espaço expositivo ao gosto do público. Todas estas interferências não só subvertem a função original destes elementos mas também criam uma inversão simbólica que os transforma em objetos animados e sensíveis ao contexto circundante e à presença do espectador. Esta forte tensão entre mobilidade e permanência, temas que perpassam a sua obra, é expressa de uma forma mais evidente numa série de derivas que o artista realizou enquanto lia livros tais como “Aspiro Ao Grande Labirinto” de Oiticica ou “Six Years: The Dematerialization of the Art Object from 1966 to 1972” de L. Lippard, escritos que nos dão pistas sutis para descodificar sua prática artística.

Porém, o caráter performativo da sua produção não advém necessariamente de uma prática performática, mas sim da contínua reformulação das lógicas deduzidas e aprendidas do próprio comportamento e história dos objetos (e seus contextos), exercício que lhe possibilita ativar neles uma potencialidade específica que lhes é constitutiva, mesmo que, à primeira vista, paradoxal.

Esta reformulação advém de uma postura que não se encarcera nos domínios da arte, deixando se intersectar por noções de geografia, geologia, astronomia, arquitetura e urbanismo. Porém, o ímpeto não é uma autoproclamação multidisciplinar mas sim uma inevitabilidade daqueles que buscam desafiar a normatividade dos limites de sistemas ideológicos e espaciais ortodoxos.

Bruno de Almeida | 2015.09.01

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ascensão, 2013_instalação/negociação_luminárias publicas da prefeitura de Londres, lâmpadas, células fotoelétricas e fiação_dimensões variáveis

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ascensão, 2013_instalação/negociação_luminárias publicas da prefeitura de Londres, lâmpadas, células fotoelétricas e fiação_dimensões variáveis

obra2-estado-de-colisão-710px

estado de colisão (Cruzeiro do sul), 2014_instalação_conjunto de faróis automotivos, lâmpadas, transformador, sensor de movimento com função invertida e fiação_2.30×1.50 m

gelo Baiano, 2010_instalação_conjunto de prismas de concreto retirados das ruas e rodas de silicone com articulação de 360º_dimensões variáveis

ao Grande Labirinto, 2013_leitura, ação_registro fotográfico, texto datilografado, moldura e livro _29,7cm x 21cm [cada moldura] and 21 cm x 14 cm [livro]

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