Beto Shwafaty

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A vida dos Centros, 2011-2013. Inkjet print em papel fotografico fosco laminado montado em dibond/aluminum. Instalação com 37 imagens, 35 x 42 cm (cada), medida total: 9 metros lineares.

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Estrutura operacional para campo conceitual: Centro direzzionale (diagrama transformado em estrutura), 2013 Estruturas metálicas, chapas de mdf com gravação em CNC (baixo relevo), pintura automotiva, vidro temperado jateado e granito gravado Dimensões: 12 m2 (três módulos medindo 2,05 x 2,4 x 0,05 cada).

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Fundamentos da Substância do Design: Metáforas Culturais para Projetar um Novo Futuro. Vistas da instalação, Oca Ibirapuera, 2014.

A relação intrínseca que a prática artística de Beto Shwafaty estabelece com o espaço urbano se embasa num entendimento deste como uma complexa matriz de narrativas e conceitos interconectados. Sua abordagem abarca transversalmente um grupo de relações sedimentadas, analisando-as como um substrato que, apesar de intangível, é responsável pela modulação do corpo social e pela estruturação física do espaço que lhe corresponde, e que reciprocamente, molda a sociedade que lhe dá forma. O interesse sobre este processo de permanente reconfiguração mútua tem informado o trabalho do artista, que explora não só a maneira como funciona esta engrenagem, mas também quem são os agentes que a mantêm em movimento e com quais forças, assim como suas respectivas consequências. O seu interesse pelos processos de estruturação social, política e econômica e a sua repercussão na constituição de uma esfera pública, ganha um maior ímpeto quando o seu olhar crítico incide sobre o seu pais natal, o Brasil.

O trabalho e pesquisa do artista carregam reflexões acerca da ideia de modernismo e colonialismo, entendidos como duas faces de uma mesma moeda, questionando se o projeto de modernização do Brasil significou uma ruptura efetiva com o seu passado colonial, ou se foi apenas a continuidade de um processo colonizador cuja lógica recalcada ainda não foi revista. Esta conjectura o levou a analisar aspectos diversos da produção histórica e estética ligadas ao poder, tais como os processos de modernização em curso no Brasil desde o desenvolvimentismo dos anos 50 e 70, até hoje. Ou refletindo sobre de que forma os discursos e ideologias desenvolvimentistas foram associados a determinadas manifestações artísticas e arquitetônicas durante os ciclos de expansão econômica, sendo instrumentalizados e instrumentalizando-se mutuamente.

Através de uma abordagem transdisciplinar a partir da qual explora relações entre espaços, contextos, objetos, imagens e seus agenciamentos por diversos atores, o artista posiciona o seu trabalho dentro de noções expandidas de site-specific e de ready-made. De forma a apreender toda a complexidade imbuída nestes contextos-espaços, Shwafaty desenvolve projetos baseados em pesquisas de campo onde criteriosamente seleciona, recolhe e analisa documentos, imagens, objetos – dentre outros elementos. A sua investigação não se desenvolve linearmente em função de objetivos científicos, fins pedagógicos ou mesmo pretensões didáticas. O seu intuito é, num primeiro momento, avaliar e identificar os processos e dispositivos que definem os códigos hegemônicos e normas históricas. Para, em seguida, produzir novos momentos de visibilidade, pautados por registros e documentos híbridos que resultam da reconfiguração dos elementos dessas pesquisas. Assim, seus projetos compõem uma contra-memória construída por informações habilmente situadas no limiar entre fato e ficção, que apresentam interpretações alternativas ou aspectos dissidentes da história “oficial”.

Este anseio discursivo que perpassa a obra de Shwafaty (veja-se a grande produção escrita e teórica do artista) faz com que ele trabalhe as suas obras de forma a atribuir-lhes uma capacidade de mediação (auto)crítica. Esta, não busca facilitar a experiência do público, no sentido de tornar o trabalho mais decifrável, ao invés disso, procura dar mais densidade à relação entre a obra, o sujeito e seus contextos. A importância que o artista atribui à mediação advém, assim, da sua plena consciência de que não basta somente exigir um engajamento do (e com) o trabalho de arte, uma vez que este se encontra dentro de estruturas institucionais disciplinadoras. Logo, a concepção de suas obras se baseia também numa reflexão sobre os mecanismos que circundam e incidem sobre a própria produção, difusão e recepção da arte.

Esta vontade de fazer circular o seu trabalho de uma forma crítica, leva Shwafaty a adotar metodologias muito próximas ao pensamento curatorial, frequentemente explorando a produção de conhecimento a partir dos elementos que constituem o próprio léxico expositivo. O artista coloca uma grande ênfase sobre as estratégias expográficas e a sua importância na contextualização da obra e na organização da experiência do “espectador”. Gerando instalações que se assemelham a exposições ou mesmo fragmentos de instituições em constante processo de mutação e expansão. Assim, o artista transforma a sua “obra-exposição” num território onde as fronteiras hierárquicas entre práticas artísticas, curatoriais e estratégias institucionais tornam-se permeáveis. Ao transformá-las em interfaces dialógicas, relacionais e pluralistas, Shwafaty busca estabelecer processos que instiguem a consciência do espectador sobre a complexidade das dinâmicas históricas, políticas e sociais que o cercam e que moldam os espaços e tempos em que esse habita.

Bruno de Almeida | 2016.03.12

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Contrato de Risco, vista da Exposição na Galeria Luisa Strina, 2015.

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Abstração Suja II. Serigrafia, tecido, MDF, relevo em concreto reforçado. 2015 Dimensões: placa de concreto 62 x 62 x 6 cm; serigrafia 56 x 38 cm. / Projeção I (planos em progressão), 2015. Chapas de compensado (cortes geométricos), pantógrafo e tinta. Dimensões: 85,5 x 141 x 3 cm / 125 x 90 x 3 cm.

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Remediações, 2010 – 2014. Instalação – video, monitor de TV, dvd player, mobiliário, material de construção, vitrine, fotografias, e intervenções sobre material gráfico. Materiais diversos, Dimensões variáveis (instalação aprox. 50 m2).

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Remediações, 2010 – 2014. Instalação – detalhes.

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Governar é Comunicar (Superquadra com praça vermelha em um novo horizonte), 2014. Anúncio da classe publicitária exaltando as qualidades comunicativas do General Emilio Medici no dia Panamericano da Propaganda (4 de Dezembro, 1970); com fac-simile de pagina do livro fotográfico Brasil Terra Magica (década de 1970) com intervenções pictóricas . Colo print sobre papel algodão e tinta óleo, 70×50 cm (emoldurado).

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O Museu Impossível das coisas vivas. Departamento de integração pan-continental (área de contato triangular), 2014. Instalação contexto específico. Materiais diversos. Impressão colorida em tecido, painel informativo com intervenções gráficas e colagem em material impresso pré-existente, metal, vidro, objetos e luminária. Foto Edouard Fraipont. Cortesia Galeria Luisa Strina e o artista.

Fotos: Edouard Fraipont. Cortesia Galeria Luisa Strina e o artista.

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