Errata

Abertura – 07.11.2017, 19:00h @ Galeria Leme

SITU #7 | ANA DIAS BATISTA

ERRATA

curadoria de Bruno de Almeida

Abertura: 7 de Novembro, 2017, das 19h às 22h

Exposição: 7 de Novembro, 2017 – 20 de Janeiro, 2018

A Galeria Leme apresenta a 7ª edição do projeto SITU que integra a programação oficial da 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo e dá continuidade a uma pesquisa sobre o diálogo entre arte, arquitetura e cidade como ferramenta para a análise e problematização das dinâmicas urbanas. Para esta edição a artista brasileira Ana Dias Batista cria uma obra site-specific que sublinha as tensões e contradições da relação entre o edifício da galeria e a cidade, intervindo diretamente na fronteira entre o espaço público e o privado, nomeadamente nas fachadas principais do edifício e no pátio que se abre entre elas.

Sobre o conjunto de pichações, desenhos e escritos que foram sendo acumulados ao longo do tempo nas fachadas cegas da galeria, a artista acrescenta uma outra pintura comumente encontrada pela cidade. A linguagem é o grafite e o motivo é o de um muro de pedras, um tipo de desenho normalmente encomendado por indivíduos que desejam refrear pinturas indesejadas sobre as paredes de suas propriedades. Ao contrário da pichação, tais grafites são legalmente permitidos e socialmente aceitos. Assim, usam estrategicamente um tipo de linguagem para evitar uma outra congênere, jogando com um código de conduta que existe entre aqueles que pintam (legal ou ilegalmente) as paredes da cidade. Mas, apesar de suas semelhanças formais com os demais, o muro encomendado por Ana Dias Batista parece operar segundo uma outra lógica. Ele chega tarde para evitar qualquer tipo de desenho ilícito e parece conviver de igual para igual com estes. Ao ser interrompido pelo pátio da galeria o muro bidimensional transforma-se, fragmentando-se em inúmeros obstáculos viários de concreto distribuídos pelo chão desse espaço, que apesar de ser aberto à cidade, normalmente é usado como estacionamento privado. Mas tais obstáculos também não parecem cumprir a sua função original de ordenar e limitar o trânsito automotivo. A sua quantidade é excessiva, o seu posicionamento é ilógico e redundante e tampouco impede a circulação de veículos naquele lugar.

Ao perturbar a normalidade de elementos cuja função é regrar determinadas ações do cidadão no seu trato com a cidade, Ana Dias Batista evidencia o caráter paliativo e contraditório de tais estratégias. Ao embaralhar quais territórios devem ser protegidos e quais atores devem ser coibidos, a artista vai na contramão de um determinismo característico da atual política de higienização sócio-espacial consumada através da atuação direta na cidade, seja através de seu suposto embelezamento ou da obliteração de espaços e discursos que escapam à norma oficial. Dentro desta forma de se entender o espaço urbano, o grafite de muro de pedras, difundido pelo gosto popular, parece ganhar ainda mais sentido, já que esse muro é o elemento arquétipo da separação territorial, a base para a definição do limite entre o público e o privado, entre uns e outros, entre o que pode ser visto e o que se pretende ocultar, sendo assim causa e consequência de uma sociedade “murada”.


Sobre a artista:

Ana Dias Batista, 1978, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Graduada, mestre e doutora em artes visuais pela ECA-USP. Apresentou exposições individuais no Centro Cultural São Paulo (2001), no Centro Universitário Maria Antônia (2004), no Museu de Arte da Pampulha (2007), na Estação Pinacoteca (2009), no Ateliê 397 (2015) e nas galerias Adriana Penteado, Mendes Wood, Ybakatu e Marilia Razuk. Recebeu a Bolsa Pampulha e os prêmios Conexão Artes Visuais (Funarte, 2008) e PROAc (Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, 2009 e 2015). Recentemente integrou as mostras coletivas Avenida Paulista (MASP, São Paulo), In Memoriam (Caixa Cultural, Rio de Janeiro), Temporary Contemporary (Bass Museum, Miami), Tout doit disparaître (La Maudite, Paris), Imagine Brazil – Artists’ Books (DHC/ART Fondation pour l’Art Contemporaine, Montréal), Huna, Hunak / Here, There (Al Riwaq Exhibition Space, Doha, Catar) e Alimentário (Oca, São Paulo e MAM, Rio de Janeiro).

Sobre o curador:

Bruno de Almeida, 1987, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Graduado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Portugal (2009). Mestre em Arquitetura pela Accademia di Architettura, Mendrisio, Suíça (2013). Desenvolveu projetos com instituições tais como: Harvard University, Graduate School of Design, Cambridge, EUA; New Museum – IdeasCity Arles, Nova Iorque, EUA; Independent Curators International, Nova Iorque, EUA; Storefront for Art and Architecture, Nova Iorque, EUA; Pivô Arte e Pesquisa, São Paulo, Brasil, entre outras. Sua pesquisa e projetos foram publicados em: ARTFORUM International Magazine, EUA; ATLÁNTICA Journal of Art and Thought, Centro Atlántico de Arte Moderno, Espanha; TELLING #2, T+U Architectural Publications, Portugal; Revista aU – Arquitetura & Urbanismo, São Paulo, Brasil, entre outras.


 

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